quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

VISITA EDUCATIVA: Memorial da Resistência

Alunos do 9º ano realizaram visita educativa ao Memorial da Resistência, no dia 01/09/2015. Os trechos dos relatos de Vinícius Sobrinho (9º B) e Ygor Montmor (9º C) descrevem a experiência de visitar um dos locais mais emblemáticos do Regime Militar no Brasil, cenário de torturas e outras violências durante o período de repressão.
“A ida ao Memorial da Resistência foi uma experiência importante para mim, pois me fez entender um pouco mais sobre o regime militar, como, onde e porque ocorriam as torturas. Vi lá que em apenas um de muitos DOPS (Departamento da Ordem Política e Social) houve muitos registros de desaparecidos e de mortos. Mostraram-nos 4 celas, 1 corredor e 2 salas. Na primeira sala em que entramos tinha fotografias e acontecimentos escritos nas paredes (...) o mais interessante foi as celas, pois ficamos sabendo de coisas que aconteceram (...) na 2ª cela havia máscaras de papel na parede e em cada uma havia um nome completo e um vidro com informações; na 3ª cela, havia mais detalhes como colchonetes, privada, pia etc, e também muitos nomes e datas de prisão (...) na 4ª cela havia fones para escutarmos depoimentos de vítimas desta injustiça. (...) Apesar da grande maioria de tudo ter sido reconstituído (os policiais que trabalhavam lá demoliram, pois é crime fazer tortura de qualquer forma), foi muito bom conhecer um pouco mais da história brasileira.” (Vinícius Sobrinho)
“Disseram coisas que me chamaram a atenção no museu. Me surpreendi como eram críticas as situações que eles ficaram depois de presos por acusações sem fundamento; uma simples opinião levar para a prisão. No museu, achei muito interessante as celas, o lugar onde eles tomavam banho de sol, os depoimentos gravados, as pessoas importantes que passaram por lá.” (Ygor Montmor)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Cultura Brasileira em destaque no mês do Folclore

Conto de assombração "Procissão dos Mortos" adaptado para teatro pelos alunos do 6º ano A


No dia 28/08/2015, foi realizado o dia de comemoração ao folclore e à cultura brasileira na nossa escola. Participaram em diferentes horários, 5ºs e 6ºs anos e 8ºs e 9ºs anos, cujos alunos viram artesanatos, músicas, danças, seminários, teatro etc. Tudo isso e muito mais foi apresentado pelos grupos nos dois horários, no pátio.
A ideia surgiu em uma reunião com os mediadores de leitura e as professoras Nágila e Neuza. Foi uma forma de conseguir interagir mais com os alunos e para eles entrarem mais atividades da nossa escola.
No período da manhã, os alunos do 1º ao 4º ano puderam desfrutar de brinquedos e brincadeiras tradicionais, como pé-de-lata, pula-corda, peteca, amarelinha, brincadeiras de roda, corre-cutia, escravos-de-jó. Todos os brinquedos foram feitos pelas próprias crianças, usando sucata e com a orientação das professoras e professores das turmas.
À tarde, os destaques foram as peças de teatro “Procissão dos Mortos”, organizada pelos alunos de 6º ano, e a adaptação de um trecho do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, apresentada pelos alunos da Professora Sônia (5º A). Outro ponto alto foi a apresentação sobre Capoeira, que entusiasmou o público. Veja as fotos abaixo.




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

PROJETO “LER É BOM, EXPERIMENTE”

Durante o 2º bimestre, os alunos do 6º ano realizaram a leitura do livro “Acontece”,  de Laé de Souza. Os exemplares da obra foram enviados para a execução do Projeto “Ler é bom, experimente”, organizado com o objetivo de incentivar práticas de leitura e de produção junto aos alunos da rede pública.
O livro “Acontece” é uma coletânea de crônicas divertidas, retratando o cotidiano das pessoas comuns. Os alunos, nas aulas de Língua Portuguesa e com o apoio na POSL Nágila,  passaram por orientações, compreendendo as características do gênero crônica e sendo avaliados a partir do preenchimento de ficha de relatório de leitura, enviado pelos organizadores do projeto junto aos exemplares da obra.  Cada aluno foi presenteado com seu exemplar de leitura e todos foram convidados a participarem de um concurso de redação, no qual deveriam escolher uma personagem marcante da obra lida e criar uma nova narrativa preservando as principais características dessa personagem.

Divulgamos abaixo as três produções premiadas em nosso concurso de redação e aproveitamos para parabenizar as vencedoras e todos os alunos participantes.

1º LUGAR – 6º ANO A

Aluna: Rafaela Rodrigues.

TERROR DE UM PERFECCIONISTA
            Anastélgico, um homem tão perfeccionista, jamais se imaginaria naquela situação.
            Estava tendo alguns problemas de arquitetura em sua empresa, então recorreu a seu amigo Lucas, arquiteto, decorador e tudo mais.
            Naquele final de semana, Lucas estaria cuidando de seus filhos. Por fim, decidiram que Anastélgico iria em sua casa. Lucas morava em um apartamento, então esperaria seu amigo na portaria. Anastélgico chegou e os dois subiram.
            Já no elevador resolveram algumas coisas... Chegaram! Anastélgico ficou horrorizado com o que encontrou: a  casa estava em completa desordem !
            Anastélgico ficou bastante incomodado com aquilo. Seu amigo percebeu e lhe perguntou o que tinha acontecido. E ele respondeu. Quando Lucas absorveu aquilo, ficou abismado!
            - Meu amigo, perfeição não leva a nada! Pra que ter uma casa arrumada sempre e não perder tempo com aqueles contratempos do dia a dia de não saber onde está o sapato e coisa e tal? Ah, mas é tão legal, engraçado às vezes... Perfeição é chato!
            Anastélgico absorveu aquelas palavras, pensou naquilo como nunca. Bom, se ele começou a usar isso, só na próxima, não é?

***


2º LUGAR – 6º ANO C
Aluna: Isabelly Gonçalves Azevedo.

A JULGADORA
            Joana é uma garota de 14 anos, seu físico é perfeito aos olhos humanos, mas seu caráter nem tanto. Ela adora julgar os outros, mas odeia ser julgada.
            - Oi, Jô, tudo bem? – disse sua amiga Laura.
            - Oi, Lau, tudo sim. E você?
            - Tô bem. Vamos antes que a gente se atrase para o trabalho.
            - Aafff. Você viu quem e a líder do nosso grupo? A Denise só fala que vai fazer tal coisa, mas não faz nada. Ela deveria ser igual à Roberta, que além de ter os melhores trabalhos, faz tudo o que pensa. No final, quem sempre tira uma boa nota é o grupo dela e não o nosso.
            Laura apenas ouvia e nada falava, já estava acostumada com a amiga falando mal de todo mundo.
            - Bom, chegamos. – Laura disse apertando a campainha da casa de Denise e logo a mesma veio atendê-las.
            - Oi, meninas, chegaram na hora certa! Vamos começar o trabalho agora.
            Depois de tanto discutirem de que seria feito o trabalho e como, entraram em um acordo e começaram a fazer o trabalho, até que Joana diz:
            - Nossa, Denise, você é uma ótima líder. Tudo o que fala cumpre. Não acharia uma líder melhor do que você!!!
            - Não é bem isso que você me disse, Joana. – diz Laura, provavelmente cansada de toda a patifaria que Joana fazia.
            - Não entendi... – diz Denise se desfazendo do sorriso.
            - Laura, fica quieta!
            E assim começaram uma breve discussão...
            - Tá, me desculpa, Denise. – disse ela cabisbaixa.
            - Te desculpo. Mas não julgue ninguém antes de saber toda a história dela. 

 ***

3º LUGAR – 6º ANO B
Aluna: Eduarda Fanta Ferreira.

A PROTEÇÃO DA MÃE
            A mãe sempre quer proteger seus filhos. Em casa, a mãe fala com você para ir almoçar, jantar, tomar banho, dormir. Às vezes nós pensamos: “Que saco, ela não para de brigar comigo!”
            Na rua a mãe sempre pede pra você sair do meio da rua, parar de pedir doces porque faz mal, até quando ela está te ligando e você não atende o celular e ela fica furiosa.
            Quando você fala que vai na casa de um amigo, ela já fala:
            - Quem é esse amigo? O que você vai fazer lá?
            Ela sempre vem com aquele papo: “Quem com porcos anda, farelo come”. Na maioria das vezes, fala que seus amigos são más companhias. Sempre fala que você precisa estudar mais, porque, se continuar assim, vai falar com seu pai.
            Elas sempre falam:
            - Você só vai dar valor a mim quando seus filhos tiverem dando trabalho!
            E é verdade. Por isso que a gente sempre tem que dar valor a nossa mãe. Porque a gente nunca sabe o dia de amanhã.


Acesse o site do Projeto Ler é bom para maiores informações: www.projetosdeleitura.com.br


sábado, 2 de maio de 2015

Jovens Mediadores 2015 em Ação na EMEF Achilles

O ano de 2015 começou com muita animação para os Jovens Mediadores da EMEF Achilles. 
No dia 13 de fevereiro, todos os alunos participaram de um divertido baile de carnaval, promovido pelos Mágicos da Leitura, os nossos mediadores.

A Fernanda Rosa, uma mediadora veterana do 9º ano, relata como foi participar dessa folia.

Nosso baile de carnaval foi incrível. Primeiramente, os mediadores organizaram um festa carnavalesca com muitas brincadeiras e fantasias para as turmas de manhã. Á tarde, todos se divertiram muito: teve dança, música e... FANTASIA! Sim, foi um baile de carnaval e também um baile a fantasia. Foi organizada uma competição com um prêmio para a melhor fantasia feita a mão.
Tudo foi divertido demais, com muita dança e muita festa. Mas, também foi um pouco cansativo para nós mediadores que ficamos das 7:00 até as 18:00, não deixando a animação diminuir. 
Mesmo com o cansaço foi muito divertido ver as crianças das turmas da manhã curtindo muito.  Nós, da mediação, fizemos a decoração do pátio, brincamos e pulamos junto com as crianças.
Já o pessoal da tarde começou o baile com marchinhas tradicionais e finalizou com muita animação. Na mesa de som, estava o Prof. Willian.. O concurso de fantasias foi realizado e, para nossa surpresa, o grande destaque fomos nós mesmos, os mediadores, que estávamos todos fantasiados desde a manhã. Eu acho que os alunos estão gostando desse novo Achilles, que tem festinhas e concursos. É muito legal participar, tanto ajudando na organização como se divertindo no baile.  Espero que venham muito mais festas e apresentações. Tenho certeza que todos que foram se divertiram muito como eu.
 

domingo, 7 de dezembro de 2014

SÃO SÓ LEMBRANÇAS...

Publicamos abaixo mais uma das crônicas produzidas pelos alunos de 8º e 9º anos que participaram do Concurso Literário Flink Sampa 2014, sobre a vida e a obra da grande escritora Carolina Maria de Jesus.

Carolina Maria de Jesus em noite de autógrafos no lançamento de seu livro



                           São só lembranças...

Dizer adeus nunca foi muito meu forte.

Esta casa tem grande valor para mim, pois aqui vivi momentos imensamente felizes, e também tristezas marcantes. Agora, tenho de deixá-la.

Aqui cresceram Laura, Diana e o pequeno Cristiano, - “Ah meu Cristiano, quanta falta você faz!”.

 Me encontro agora empacotando pedaços de um passado que levarei comigo. Desde moça eu tenho o costume de guardar recordações. Vasculhando caixas, deparei-me com as fotos de minha família.Tempos difíceis.

Morávamos os sete numa casinha no meio da roça. Meus pais se conheceram na Bahia, onde casaram e viveram boa parte de sua vida. Passávamos inúmeras dificuldades e tivemos de aprender a ser unidos. Papai ganhava pouco, o aluguel vivia atrasado. Mamãe lavava roupa para fora e quando não tinha clientes vendia doces na cidade. Lembro-me como se fosse ontem: eu e os pirralhos levando a maior surra por tentar pegá-los às escondidas. Quanta vontade, quanta fome passamos ali.

Viemos para São Paulo quando eu tinha quinze anos, em busca de emprego. Ajudava muito em casa. De todos nós, a caçula Luiza foi a única a frequentar escola no período certo. Os outros entraram atrasados e por isso eram alvos de chacota dos “canetinha Silva Penha”, os fresquinhos que possuíam bons livros e as tais canetinhas caras, que eram o sonho de várias crianças na época.

 Zezinho era o segundo mais novo. Eu já tinha doze anos quando ele nasceu. Era de todos o mais arteiro e já havia levado incontáveis surras antes mesmo dos sete anos. Eu  e Zezinho somos os únicos vivos.  

Depois de um tempo que deixamos a Bahia, mamãe passou a trabalhar dobrado, pois meu pai caíra doente de tanto trabalhar. Meu pai foi outro forte, que viveu até os noventa e dois anos, e chorou a morte daquela que tanto o amou. Mamãe faleceu aos oitenta e sete. Meus irmãos já eram crescidos e passaram a sustentar a casa com seus trabalhos.

Luiza foi a que conheceu o trabalho mais tarde. Estudou até o terceiro ano e logo arrumou um emprego de vendedora.

Todos nós arranjamos sequelas daquela época, Luiza em sua saúde, Marlene que já é falecida, urinava todas as noites em sua cama e dizia ter medo de algo que nem ela mesma sabia descrever. Cláudio, que também já faleceu, vivia cheio de manchas de surras por não saber o limite de papai. Lembro-me dele chorando com fome e papai mandando-o ir dormir para que esta se fosse.

Eu, por ser a mais velha, presenciei muitas brigas de meus pais e consolei diversas vezes minha mãe por sentir-se envergonhada de não poder comprar presentes para os pequeninos no natal e em seus aniversários.

Foram tempos difíceis aqueles e mentiria ao dizer que sinto saudades, mas queria poder rever cada um de meus irmãos e beijar meus pais.

Já tive que me despedir tantas vezes...

Lá vou eu! Encontrar-me com novas tristezas e novas felicidades. Sensações e sentimentos que se tornarão apenas lembranças.
 
(Rafaela Gomes Mota - 9º ano B)
 
Para saber mais sobre Carolina Maria de Jesus:

LAMÚRIAS DE UM TEMPO ANTIGO


Publicamos a última crônica inscrita no Concurso Flink Sampa de Literatura 2014, que teve como tema a escritora Carolina Maria de Jesus e sua obra "Quarto de Despejo". Aproveitamos para parabenizar aos alunos que representaram a EMEF Achilles com seus textos.

Lamúrias de um tempo antigo

Ali parada, no meio da rua, chorou.

Há muito já não tinha vida. Era uma existência fria, vazia, plenamente exata. Não haveria reviravoltas, alegrias ou tristezas, paixões ou desilusões; sua vida era tão previsível quanto o nascer do sol ou a rotação da Terra.

As marcas daquela existência sofrida escancaravam-se no seu rosto: rugas, talhos fundos em sua face, como que feitos à navalha. Os olhos leitosos, de cor indefinida; olhos que praticamente não enxergavam mais nada; e que, porém, já haviam visto muito. A cabeça alva que denunciava as primaveras avançadas.

Ainda se recordava daquela rua. Com a memória, derrubava as casas e prédios, o asfalto e a tinta; e quase conseguia reconstruir as macieiras, o casarão, as sinhazinhas correndo pelo gramado, os negros, indo e vindo com seus próprios afazeres, sonhos e humilhações. Não passava de uma criança, dois ou três anos talvez.

As lágrimas escorriam sem perceber. Os carros no tráfego pararam, mas ela não ouvia as buzinas; e sim os gritos, as lamentações, os apelos de misericórdia de outrora. Os carros esperavam; algumas pessoas observando no meio-fio, aquela senhorinha negra chorando as lágrimas de milhões de antepassados.

De repente, o baque, um som oco, um corpo ao chão. Passados cinco impressionantes segundos, um filho de Deus se dignou a socorrê-la. A senhorinha agonizava próxima à faixa de pedestres, e em sua alma sentia o flagelo e a desolação de milhares de antepassados.

— Minha senhora! O que está sentindo? Senhora! — não houve resposta, mas se tivesse havido, talvez aquelas vozes de suas memórias se juntassem à sua no grito.

Alguém conseguiu uma ambulância, e logo ela estava sobre a maca, ainda agonizando.

— Pelo menos, não morreu ali naquela contramão, atrapalhando o tráfego. — alguém disse depois.

Ninguém sabia seu nome ou endereço. O cadáver mal-cheiroso era apenas pele, costelas proeminentes e joelhos ossudos. Há quem diga que havia marcas em seus pulsos e tornozelos, marcas de algemas e correntes. Há também quem jure que havia sangue seco em suas vestes. Apesar disso, no óbito constava apenas ataque cardíaco.

Ela morreu, mas o mundo continuou. Talvez ela houvesse previsto a própria morte. Talvez tivesse ido até ali para morrer. Quem sabe? E quem se importa? Afinal, pessoas morrem todos os dias. Ela havia ido para junto dos seus.
(Giovana Bastos Oliveira - 9º ano B)

Para saber mais sobre Carolina Maria de Jesus:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DO OUTRO LADO DA RUA

Publicamos mais uma das crônicas  inscritas no Concurso Literário Flink Sampa, cujo tema foi o centenário de nascimento da escritora Carolina Maria de Jesus. O texto abaixo é de Augusto Evangelista, do 8º ano B, que se inspirou nos relatos da autora no livro "Quarto de Despejo: diário de uma favelada" para criar um narrador que observa e reflete sobre o cotidiano da favela, sobre a miséria e o preconceito que persistem quase seis décadas após a escrita de Carolina.






Do outro lado da rua


Hoje eu estou me mudando para uma casa que é de frente à subida pra favela. Do meu quarto dá pra ver todas as casas e barracos, então, depois da entediante arrumação da casa, fui para janela espiar com meus binóculos o que estava acontecendo. Vi uma mulher com uma roupa velha e suja descendo com uma sacola de latinhas pra trocar no ferro velho. Pelo seu corpo magro, parecia que ela não comia há dias, mas logo percebi que não era só ela que parecia um palito.

Enquanto eu voltava da escola na segunda-feira, uma menina da favela foi xingada, empurrada e chorou, pois vários meninos ficavam faladando palavras muito feias como “Sua negrinha”, “Favelada”, “Preta do cabelo duro”, “Sua fedida” e outras coisas que prefiro não dizer. O pior era que as mães desses meninos nem ligavam pro que eles estavam dizendo, pareciam até estar gostando.

Na terça-feira, fui comprar pão na padaria do seu Joaquim, e a mesma menina que no dia anterior foi xingada estava pedindo fiado pro comerciante, pois faltava um real para pagar tudo. Seu Joaquim demorou um tempo até aceitar, mas disse que seria só dessa vez. Enquanto fazia o meu pedido, dois meninos com roupas extremamente sujas pegaram dois pães doces e saíram correndo, sumindo entre os barracões. Seu Joaquim nem se deu ao trabalho de correr atrás deles, só disse:

- Esses moleques nunca aprendem.

Na quarta-feira, logo que cheguei da escola, fui olhar com os meus binóculos se havia alguma coisa diferente, mas a única coisa foram duas mulheres, cochichando uma com a  outra e dando olhares de desprezo para uma mulher que estava lendo, sentada num banquinho em frente à sua casa. As mulheres deviam estar com inveja porque a mulher sabia ler e elas não.

Na sexta-feira, uma roda se samba se formou no pé da subida da favela.  Havia uma voz que se destacava por ser afinada e muito bonita, porém, mesmo com os binóculos foi difícil achá-la. A voz era a da mulher que eu vi com a sacola de latinhas. Sua alegria era radiante. Na hora percebi que  só porque uma pessoa tem um olhar de tristeza ou é pobre, não quer dizer que ela não pode se divertir.

O sábado foi totalmente ensolarado. Depois de um bom mergulho na piscina, fui ver com é que eles estavam se dando com o calor. Estavam todas as crianças tomando banho de mangueira, e isso parecia até mais divertido do que um mergulho na piscina.

O domingo foi um almoço de família. Enquanto meu primos brincavam, resolvi ficar espiando a conversa do meu pai e do meu tio, que estavam dizendo que o Brasil estava em perfeitas condições e que não precisava melhorar muito. Então eu fiquei pensando: “Se estamos em condições boas, por que tem gente passando fome, sem moradia, sem trabalho e sem outras coisas?”. Quem sabe eu não encontre as respostas para essas perguntas ali, do outro lado da rua. 

(Augusto Evangelista da Silva - 8º ano B)

Para saber mais sobre Carolina Maria de Jesus:

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ALUNA É FINALISTA DE CONCURSO LITERÁRIO SOBRE CAROLINA MARIA DE JESUS



 
“...Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida...”
 
A escritora Carolina Maria de Jesus foi a grande homenageada da Flink Sampa - Festa do conhecimento, literatura e cultura negra, ocorrido nos dias 22 e 23 de novembro de 2014, no Memorial da América Latina. Entre as várias ações que fizeram parte do evento houve o Concurso Literário, que premiou crônicas produzidas por alunos do ensino fundamental e médio e que tiveram como tema a obra "Quarto de Despejo: diário de uma favelada".
 
A Flink Sampa preparou uma página especial com a cronologia e a biografia da escritora que rompeu barreiras sendo a primeira mulher negra e favelada a publicar um livro que alcançou grande sucesso no Brasil e no exterior (http://www.flinksampa.com.br/index.php/about/homenageada).
 
Ester exibe seus prêmios
 
A EMEF Achilles participou do Concurso Literário com quatro textos. Entre eles, "As lutas de Rita", escrito pela aluna Ester Messias da Silva, do 8º ano C, que ficou entre os 10 finalistas.
"Gostei muito de participar do concurso. Aprendi sobre a autora e gostei bastante da maneira como ela escreve. Pretendo ler outros livros dela e continuar escrevendo e participando de outros concursos como esse", disse Ester.
Sua crônica está reproduzida abaixo. As demais serão publicadas nas próximas postagens. Parabéns, Ester!


 
 
 
 
 
 
As lutas de Rita

 Só descobri que era negra quando me vi num ambiente dos brancos.

Até então desconhecia o mundo dos mais favorecidos e suas diferenças, pois fui criada numa favela chamada “Puxadinho”, classificada pelos entendidos como a mais violenta da cidade São Paulo.

Puxadinho localizava–se no bairro do Jardim Ângela e era conhecida por sua grande população (boa parte negra ou afrodescendente) que só aumentava junto com a pobreza estrondosa e o impacto na violência, sendo esquecida pelo governo em seus planos ressocialização.

E nesse bairro, eu nasci, filha de uma mãe solteira, vinda da Bahia, com mais 6 irmãos. Meu pai ou “estranho”, pois a única coisa que sei sobre ele é que era um dos principais traficantes do Puxadinho,  morreu em uma troca de tiros com a Polícia, deixando seu cargo influente no ”PCC“ e 7 filhos para trás.

Eu vivia desconfortavelmente num barraco de madeira, no meio de um beco no alto de um rio, apertado, com cheiro de esgoto. Crescendo, vi minha mãe trabalhar em vários empregos para criar  tantos filhos e assim fui me tornando meio mãe também.

Mas, apesar de tanto sufoco, mesmo que de forma inconsciente, minha mãe não aceitava seu estado - ser negra, pobre, analfabeta e ser tratada como miserável -, pois sua maior preocupação era que os filhos fossem tudo que ela nunca foi na vida.

Surgiu daí sua coragem para lutar e insistir em nos guiar pelos estudos, pois ela tinha um sonho. Foi por essa insistência que conseguimos frequentar uma escola com mais recursos, perto de onde ela trabalhava.

A maior satisfação da minha mãe era quando nos empenhávamos na escola, tirando notas boas. Eu, como irmã mais velha, tinha o dever de zelar pelo bem dos mais novos, o que não era fácil, pois eu e meus irmãos sempre éramos alvo de brincadeirinhas.

- Olha, lá vem turminha dos mulatos, os mortos de fome.

Fora quando não éramos agredidos. Parecia que éramos  saco de pancadas, alvo de piadas maldosas só por não sermos “brancos". Enquanto os professores nos elogiavam, éramos criticados pelos colegas. Para cada nota boa, mais hostilizações, porém sempre dei apoio e conselhos a meus irmãos. Só ressaltávamos as coisas boas (que na verdade não eram muitas) para nossa mãe.

Dentro de mim sentia que havia uma missão, não só de ajudar minha humilde família, mas de fazer a diferença para as pessoas ao meu redor.

Depois de frequentarmos passeatas e projetos, resolvemos levantar nosso próprio projeto, que cada vez mais crescia com o intuito não só de uma raça ou etnia, mas de lutar pelos direitos dos negros e dos mais pobres no ingresso a uma universidade. Com nosso projeto, ajudamos  muitos jovens de baixa renda a entrar em instituições públicas e privadas através de bolsas.

Mesmo com este nosso projeto nossa vida não ficou como um “mar de rosas”, mas foram muitas as conquistas ao longo de 10 anos, não só nossa vida social, mas na de muitos moradores do Puxadinho.
 
(Ester Messias da Silva - 8º ano C)






segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ditadura Militar - Imagens e Mensagens



No 3º bimestre de 2014, os alunos de 9º ano desenvolveram atividades para o projeto interdisciplinar DITADURA MILITAR - IMAGENS E MENSAGENS, sob a coordenação da Professora Neuza Carvalho (História) e que envolveu os também professores de História Carol Sevilha e Willian Sartório, o professor de Artes, Elias, e a professora da Sala de Leitura, Nágila.
O projeto foi finalizado com uma exposição montada no dia 12 de setembro de 2014, que recebeu a visita dos alunos de 7º e 8º anos.
Abaixo, temos dois relatos. O primeiro é de Alexsander dos Santos, aluno do 9º ano que participou do projeto. O segundo, de alunas do 8ª ano, traz os comentários dos visitantes da exposição, suas impressões e aprendizagens proporcionadas pela experiência.


Vinte e um anos de Ditadura Militar num só dia
Por Alexsander dos Santos (9º ano)

Nós, alunos do 9º ano da EMEF Des. Achilles de Oliveira Ribeiro, fizemos um trabalho sobre a Ditadura Militar no Brasil. Com a orientação dos professores, criamos três salas que simbolizam aspectos marcantes daqueles "anos de chumbo".
A primeira sala foi a dos presidentes, onde os alunos explicaram sobre os seguintes temas: economia no período do regime militar, Atos Institucionais, resistência, presidentes de antes e depois do Golpe, as "Diretas Já" e o Golpe Militar propriamente dito. Os alunos monitores que ficaram nessa sala usaram camisa preta e calças jeans para que todos estivessem cientes que deveríamos estar de luto por esses 50 anos da Ditadura.
A segunda sala foi das torturas e repressão. Os alunos monitores usaram roupas e maquiagem para representar os torturados e desaparecidos e também falaram de artistas que faziam músicas camufladas conta a Ditadura, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros, que foram considerados subversivos. Subversivos eram pessoas que combatiam a Ditadura e queriam o retorno da democracia. Os monitores contaram dos exilados, explicaram o que é censura e para encerrar,  três monitoras cantaram a música "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré.
Na terceira sala, os alunos montaram uma discoteca dos anos 60 aos 70. Eles ensaiaram danças famosas da época, se vestiram como as pessoas daquele tempo e explicaram que a sala representava as pessoas que só queriam se divertir e eram desligadas ou desinformadas dos problemas sociais e políticos do país, os denominados "alienados".
Eu achei muito boa a experiência do projeto sobre a Ditadura Militar para não só aprendermos sobre esse tema, mas também para não deixarmos esse regime voltar. Devemos ter nosso direito de expressar e argumentar como queremos. Se temos direito à liberdade, podemos conquistar muito mais.


Alexsander dos Santos preparando material da exposição com suas colegas Ana e Letícia


Apresentação sobre a Ditadura Militar

"A apresentação dos 9ºs anos sobre a Ditadura Militar foi espetacular. Na exposição, a colaboração, a dedicação e o desempenho dos alunos foi excepcional. Eles mesmos explicavam sobre a Ditadura Militar (tema sobre o qual estudaram por aproximadamente 1 bimestre). Foi uma explicação simples e rápida, porém direta. Havia três salas de exposição, sendo que todas elas com cartazes, imagens e com alunos explicando sobre a época da Ditadura. Os alunos estavam todos caracterizados como torturados ou dançarinos da época. (...) Parabenizamos os alunos do 9º ano pela grande apresentação."
(Vanessa Manastella e Fernanda Rosa)

"A Ditadura Militar ocorreu no Brasil de 1964 a 1985. Durante a Ditadura Militar a população não podia escolher seus representantes, as manifestações e as passeatas eram considerados crimes e quem as fazia era chamado de subversivo. (...) O governo controlava tudo, desde manchetes no jornal até peças de teatro que muitas vezes desapareciam sem motivo algum. Até canções eram censuradas, fazendo com que artistas tivessem que mudar de nome. Jornalistas, artistas e até mesmo pessoas normais que eram consideradas suspeitas desapareciam e eram torturadas; às vezes, morriam."
(Caroline G. de Andrade, Mariana Araújo e Karen Lira)

Professora Carol Sevilha recepcionando os alunos Vanessa, Augusto, Pablo e Guilherme na visita à exposição.


***

Outras imagens e a descrição do projeto podem ser vistas na apresentação abaixo.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Mostra Cultural 2014 - Criatividade e Criticidade




No sábado, 27 de setembro, foi realizada a mostra de trabalhos da EMEF Des. Achilles de Oliveira Ribeiro, que contou com nove  salas de exposição e três salas temáticas. Os trabalhos expostos foram executados através de projetos envolvendo todas as turmas da escola.

         Uma das exposições mais concorridas foi a mostra sobre a ditadura militar, representativa do projeto Imagens e Mensagens coordenado pelos professores de História e da Sala de Leitura, com colaboração dos outros professores das turmas de 9º ano.

         Além das salas de exposição, ocorreram apresentações de dança orientadas pelos professores Wagner, Maria Lúcia, Flávia e Sônia.

         A comunidade esteve presente e pôde apreciar o trabalho desenvolvido pelos professores e alunos da escola. Na data, também contamos com as visitas das senhoras  Keiko – Supervisora – e Maria de Jesus – formadora de DOT-P da DRE São Mateus.

         Agradecemos a toda equipe escolar pelo sucesso de nossa Mostra Cultural.